Alternativas para o Desenvolvimento Econômico em Santo André

Introdução

Santo André está localizada na região metropolitana de São Paulo, na região do ABC paulista. A região do ABC é um entreposto estratégico entre a capital e o Porto de Santos, por onde passa aproximadamente 25% da balança comercial brasileira (em valor), entre importações e exportações.

Nesse contexto, a cidade está em uma região privilegiada. Próxima à cidade de São Paulo e próxima ao Porto de Santos. Isso pode ser uma virtude é uma dificuldade. Ao mesmo tempo que Santo André tem potencialidades importantes por estar próxima de uma grande metrópole, também tem problemas sérios que precisam de solução imediata.

Nos últimos anos, as alternativas para o desenvolvimento econômico da cidade, integrada ao Grande ABC, foram muito mal exploradas. O município carece de planejamento há pelo menos 10 anos, e as coisas foram sendo tocadas da pior maneira possível, visando exclusivamente o interesse do mercado. Isso gerou alguns problemas sérios:

a) Degradação da malha urbana e do trânsito na cidade: a cidade, sem planejamento, teve seu planejamento urbano “governado” pelos empresários. Sejam eles de transporte público, sejam do setor imobiliário. E, sem planejamento ou restrição por parte dos governos, a cidade foi loteada para satisfazer os interesses desses setores. O resultado? Trânsito caótico, proporcionalmente pior que o de São Paulo, e desenvolvimento urbano extremamente mal executado, com proliferação de prédios residenciais feitos sem critério, inclusive com suspeitas de compra de habite-se em alguns empreendimentos.

b) Crescimento do setor terciário de baixo valor agregado: as Associações Comerciais e órgãos do gênero passaram a ditar o planejamento urbano das áreas centrais de muitas cidades de médio de grande porte, quando o governo negligencia sua função de planejador urbano. Isso ocorreu em Santo André nos últimos anos de maneira especialmente cruel. O adensamento excessivo das regiões centrais, aliado ao fato de Santo André ser uma rota central no ABC, tornaram o comércio da cidade profícuo, porém de baixo valor agregado. Isso quer dizer que a cidade concentra boa parte dos empregos da região, mas com baixos salários e com um custo enorme nos fluxos da cidade, que sofrem com demandas enormes de deslocamento, que a estrutura viária do município não consegue suprir.

Com isso, é comum, por exemplo, gastar uma hora no horário de pico para atravessar os 3,7 Km da Av. Dom Pedro II, que liga a divisa de São Caetano do Sul ao centro de Santo André. Deslocamentos para Mauá, pela Av. Giovanni Batista Pirelli, levam tempo semelhante.

O plano de desenvolvimento urbano, principalmente em relação aos fluxos de trânsito, deve ser feito de maneira integrada no Grande ABC. As cidades são interdependentes entre si. O trânsito em Santo André afeta Mauá, São Caetano do Sul, São Bernardo do Campo e Ribeirão Pires diretamente, para dizer o mínimo. Para resolver os problemas de trânsito da região, a primeira medida importante seria, através do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, a implantação de um Centro Integrado de Engenharia de Trânsito, com alcance para toda a região do ABC. De forma suprapartidária, independente dos prefeitos que assumirem cada cidade.

Em todo caso, para o desenvolvimento econômico em Santo André atingir patamares aceitáveis, e para a cidade de fato aproveitar suas potencialidades, a organização do mesmo deve se estabelecer em duas diretrizes e quatro áreas mestras.

Diretrizes

a) Inclusão

Nenhuma política de desenvolvimento econômico é válida se gera exclusão e desigualdade social. E é justamente isso que ocorre hoje em Santo André e em muitos outros lugares, como São Paulo, por exemplo. A desigualdade social é causa de todos os problemas sociais associados ao espaço urbano: violência urbana, habitações irregulares, falta de estrutura de saúde e educação. Qualquer programa de desenvolvimento econômico que queira ser efetivo deve lidar com essas questões, promovendo a inclusão social.

b) Sustentabilidade

A sustentabilidade não é a capacidade de contrabalancear um dano ambiental plantando árvores. Isso é marketing. Sustentabilidade, no espaço urbano, é pensar na perenidade do espaço no médio e longo prazo. É pensar no desenvolvimento não como algo destrutivo, mas como algo que pode melhorar e transformar a qualidade de vida não apenas daqueles que vivem hoje, mas também das próximas gerações. É pensar no desenvolvimento econômico tomando como base não o incremento da renda, mas a qualidade de vida das pessoas como um todo. Para isso, são necessárias soluções ambientais, sim, mas também são necessárias soluções de trânsito, saúde, educação, saneamento básico, moradia, e todos os outros fatores que influem decisivamente na qualidade de vida das pessoas, individual e coletivamente.

Áreas Mestras

1) Desenvolvimento do Turismo

A maioria das pessoas não considera Santo André uma cidade turística. Mas a cidade tem duas grandes potencialidades:

Paranapiacaba: a vila ferroviária de Paranapiacaba tem uma potencialidade incrível, extremamente mal explorada. Santo André é a única cidade das regiões Sul e Sudeste do Brasil que não tem acesso rodoviário a uma região da cidade. Paranapiacaba e o Parque Andreense são regiões isoladas, com acesso feito por Ribeirão Pires/Rio Grande da Serra. Tal situação, além de atravancar o desenvolvimento da região, mostra o descaso histórico com Paranapiacaba.

A administração atual fez uma política segregacionista com os habitantes da Vila. Restringiu os contratos a um período específico, após os quais as pessoas devem ir embora da região. Um erro grotesco, considerando que a maioria das famílias está estabelecida na vila há décadas. Além disso, promoveu o esvaziamento da região, restringindo o comércio em eventos como o Festival de Inverno de Paranapiacaba.

A solução está em integrar a região ao restante do município e em aproveitar de fato as potencialidades da região. Reabilitar o comércio da região é essencial. Construir um museu ferroviário, contando a história do transporte no Brasil, seria um catalisador. Obviamente, isso demanda investimento. Mas o retorno pode ser muito grande, especialmente com a facilidade proporcionada pela instalação do Rodoanel Sul, recentemente.

Turismo de negócios: o Grande ABC carece de uma estrutura para convenções e eventos em geral. Um pátio do prote do Anhembi, por exemplo. E Santo André, como agregadora da maioria dos serviços da região, precisa de um Centro de Convenções e de exposições à altura da região.

Reunir eventos, especialmente nessa época em que o Brasil está no foco internacional (como ocorreu com a China em 2008), é uma maneira eficiente de melhorar a qualidade dos serviços prestados na cidade, agregando mais valor aos mesmos. Serve também como remodelador urbano, contribuindo para a modernização da área ao redor. Um empreendimento desse porte precisa ser instalado em alguma região estratégica da cidade, como a Av. do Estado, por exemplo, repleta de plantas industriais decadentes e com imensa necessidade de reformulação urbana.

2) Incentivo ao empreendedor jovem e à inovação

O Brasil é um país especialmente perverso com o pequeno empreendedor. A maioria dos jovens sia das faculdades e vai arrumar emprego remunerado porque é extremamente custoso abrir uma empresa no Brasil, e a carga tributária para o pequeno empreendedor é desumana.

Santo André é uma cidade com mão de obra cada vez mais qualificada. Devemos isso aos centros de formação da cidade, como a Fundação Santo André e, mais recentemente, a Universidade Federal do ABC. Cidades com perfil universitário semelhante, como Campinas e São José dos Campos, apoiaram o desenvolvimento industrial de serviços de alto valor agregado entre recém egressos das universidades da região, com resultados práticos muito relevantes. Esse incentivo ao jovem empreendedor também é necessário em Santo André, para que essa mão de obra não se esvaia no mercado de trabalho sem o devido aproveitamento.

Uma solução possível é fazer uma versão municipal do Sistema Integrado de Licenciamento, que existe em escala estadual, em São Paulo. O sistema tem como objetivo desburocratizar os procedimentos para abertura de uma empresa, por exemplo, tornando tudo mais fácil e o tempo de espera menor.

Outra solução possível está na criação de uma rede de pequenos investidores e na concessão de pacotes de benefícios tributários aos pequenos empreendedores, vinculados a metas futuras em pesquisa em inovação. Tal política é comum entre os egressos das universidades norte-americanas, contribuindo decisivamente, por exemplo, para a proliferação das indústrias do Vale do Silício na Califórnia.

3) Aproveitamento das vocações regionais

Todo programa de desenvolvimento econômico deve ter foco na inclusão social. E ter atenção às vocações regionais é uma forma de trabalhar a inclusão em diversas escalas.

Existem dois dimensionamentos quando o assunto é vocação regional: o pensamento macro, voltado ao município/região como um todo, e um pensamento micro, voltado às comunidades.

O pensamento macro deve prospectar quais são as vocações setoriais de Santo André e do grande ABC na área econômica. Desde as mais óbvias, como a área automobilística, até áreas com demanda potencial, por contar com profissionais formados na região, como a Engenharia de Materiais.

O pensamento micro, por sua vez, deve mapear as comunidades e verificar seus potenciais em relação a comércio e serviços. O fortalecimento do comércio e dos empreendedores locais é essencial para a geração de empregos, para a diminuição dos fluxos de transporte em direção ao centro e para a criação de estruturas locais de desenvolvimento. A inclusão, nesses bairros, deve contar com incentivo da prefeitura ao microcrédito, a formação de cooperativas e ao desenvolvimento dos serviços artesanais, de forma a inserir de fato a população dos bairros no cenário econômico.

4) Incentivo à indústria e ao comércio, com foco na inovação e nos fluxos urbanos

Obviamente, as grandes indústrias ainda são responsáveis pela maior parte do PIB municipal. Santo André, como parte do ABC paulista, sofreu muito com a evasão industrial nas duas últimas décadas, motivada pela Guerra Fiscal entre os estados e por incentivos de toda espécie (como sindicatos mais fracos, por exemplo).

As indústrias que ainda continuam na região diminuíram suas plantas, na maioria dos casos, empregando menos do que há algumas décadas atrás. Mas ainda são responsáveis pela maior parte dos empregos gerados na cidade.

Para essas indústrias e para os grandes comerciantes, é necessário, além do desenvolvimento de uma estrutura de eventos, promover o incentivo à inovação e à remodelação das plantas, com inclusão mais expressiva de setores administrativos e de pesquisa e desenvolvimento. As indústrias da região, já maduras, não devem ser apenas centros de montagem. Devem agregar valor aos produtos através de novas técnicas. Tal incentivo poderia ser dado através de um catálogo municipal de patentes, oferecendo incentivos para as empresas que mais inovarem.

Além disso, a prefeitura pode promover programas de integração entre as empresas e as escolas da cidade, com a utilização do sistema educacional do município na formação de corpo técnico para atuar nas grandes empresas da cidade. A educação da cidade deve ser voltada às vocações de desenvolvimento do município, proporcionando à cidade vantagem competitiva, no tocante à mão de obra, e estancando em definitivo a evasão de empresas da região.

Além disso, é necessário, obviamente, reformular o sistema de transporte da cidade, para facilitar o escoamento da produção por parte das empresas. É necessário criar novas conexões com as vias de saída da cidade, em especial o Rodoanel, e melhorar os fluxos dentro do município, disciplinando o trânsito de caminhões e de veículos em geral. Além disso, é necessário um melhor aproveitamento da malha ferroviária do município, e um esforço regional para pressionar o governo do Estado de São Paulo a construir o Ferroanel, desonerando a linha férrea de passageiros.

Conclusão

Esse texto é apenas um exemplo do que pode ser feito em relação ao desenvolvimento econômico em Santo André. É um esboço inicial, e qualquer administrador público deve detalhar e desenvolver essas ações de maneira mais específica. Foram abordados os problemas de Santo André, em específico, mas o modelo serve para muitas outras cidades de porte similar, ou com problemas semelhantes. A especificidade de Santo André coloca a cidade em uma posição privilegiada, mas qualquer programa de desenvolvimento municipal que se preze deve prestar atenção aos fatores elencados no texto.

O mais importante, no caso, é a discussão dos itens apresentados. Mais importante que propor é compreender que, de fato, uma cidade só consegue se desenvolver quando inclui as pessoas e pensa no desenvolvimento com planejamento, de maneira sustentável, sem um viés imediatista. É isso que eu tentei esboçar nesse artigo, tomando a cidade de Santo André como exemplo.

A Linha 10 da CPTM

fevereiro 8, 2012 4 comentários

Em junho de 2011, a CPTM alterou, de maneira “temporária”, o itinerário da Linha 10 da CPTM, que atende o Grande ABC: o ponto final seria no Brás, ao ao invés de ser na Estação da Luz, como era há vários anos.

A previsão inicial era de que em dois meses a situação seria normalizada. O tempo foi passando, e no dia 15 de setembro foi inaugurada a Estação da Luz da Linha Amarela. Desde então, não se falou mais na “volta” da Estação da Luz como destino final da Linha 10 da CPTM. Depois de muito tempo, algumas autoridades da região resolveram se mobilizar. E a resposta final é que, de fato, a Linha 10 da CPTM não voltará mais a ter como terminal a Estação da Luz. Quem sair do ABC e quiser ir até e Estação da Luz terá que descer no Brás e fazer uma baldeação, pegando outro trem até a Luz.

Isso prejudica o cidadão do ABC paulista na medida que, sem o acesso à Estação da Luz, o ABC não tem mais conexão direta com as linhas azul e amarela do Metrô, além da Linha 7 da CPTM, que vai até Jundiaí. É um prejuízo considerável na mobilidade urbana, que consome de 10 a 15 minutos por viagem, dependendo do destino final do usuário.

Há um atenuante para esse prejuízo: o fato de que a Estação Tamanduateí faz a conexão com a Linha verde do Metrô. Desde setembro do ano passado, faz a conexão em horário integral. Mas não supre a falta que a conexão direta com a Estação da Luz faz para o cidadão do ABC.

Obviamente, eu sou contrário à decisão arbitrária da CPTM em modificar a Linha 10. E também sou contrário a enganarem a população prometendo algo que não será cumprido. Mas, na verdade, tudo se resume numa questão só: falta de planejamento.

Duas coisas corroboram isso:

1) De fato, a CPTM não sabia que o destino da Linha 10 não voltaria à Estação da Luz. Por um motivo simples: o movimento gerado pela inauguração da Estação da Luz na Linha Amarela foi MUITO subestimado. Hoje passam mais de 500 mil pessoas na Luz diariamente, e o tempo médio em que as pessoas levam para fazer a conexão entre o metrô e o trem, no horário de pico, passa de dez minutos, gerando diariamente cenas como a vista abaixo, em que pessoas se assemelham a gado nos corredores de transferência:

Estação da Luz, em horário de pico

Tendo em vista tal situação, de fato percebeu-se, após a implantação, que seria completamente inviável que houvesse mais uma conexão direta no local. O objetivo foi mesmo afastar os usuários do ABC da Estação da Luz. Está errado? Sim, está. Mas foi a única forma encontrada para aliviar um pouco o caos diário que existe, atualmente, na Estação da Luz.

E isso tem a ver com o segundo grande motivo que envolve a falta de planejamento no transporte público.

2) Não adianta tentar voltar atrás. Existia um paradigma em relação à Estação da Luz e ele foi rompido com a inauguração da Linha Amarela, em 15 de setembro.

E a Linha Amarela de fato inviabilizou a continuidade de uma das linhas de trem que atuavam na Estação da Luz. Infelizmente, de forma arbitrária, foi escolhida a Linha 10. Mas isso só ocorreu porque o transporte paulista, em geral, passa por uma crise de décadas no planejamento.

A Linha Amarela deveria ter sido inaugurada em 2006. Depois, em 2008. Estamos passando por um momento de crescimento econômico no Brasil, e em momentos como esse os fluxos intraurbanos se intensificam, por motivos óbvios: aumentam as oportunidades de emprego e necessidade das pessoas se capacitarem, além dos gastos com lazer. São Paulo nunca foi planejada adequadamente, o que levou o transporte metropolitano a se desenvolver de uma forma radial. O que quer dizer que todos os caminhos levam ao centro da cidade, causando uma sobrecarga de fluxo nas regiões centrais quase inadministrável.

Os sucessivos atrasos na Linha Amarela fizeram com que ela fosse inaugurada (assim como a extensão da Linha Verde, até a Vila Prudente) com uma demanda de passageiros muito maior do projetada inicialmente. E quem pagou por isso foi a população do ABC. Tivesse sido inaugurada a Estação da Luz no momento adequado, já teríamos até inaugurado novas linhas e conexões de Metrô, com o objetivo de desafogar estações como a da Luz. E não seriam necessárias medidas extremas, como a adotada, para evitar o colapso da rede.

A Superintendência da CPTM anunciou que o Expresso ABC terá ponto final no Bom Retiro (Estação Tiradentes da Linha Azul do Metrô), ao invés da Luz, para evitar o colapso da Estação. O Expresso ABC é quase uma lenda. Promete-se a inauguração há pelo menos cinco anos, e as obras não foram nem mesmo iniciadas. Além de conectar o ABC novamente com a Linha Azul do Metrô, traria vantagens diminuindo sensivelmente o tempo de deslocamento entre o centro de SP e o ABC. Uma viagem entre o Brás e Santo André, atualmente feita em 25 minutos, seria feita em menos de 15, com paradas nas Estações Tiradentes, Brás, Tamanduateí, São Caetano, Santo André e Mauá.

Prova da falta de planejamento do governo é o fato de que o Expresso ABC provavelmente ficará pronto após o Monotrilho que ligará a Estação Tamanduateí ao centro de São Bernardo do Campo (este já em fase de licitação).

Infelizmente, quem sofre com a falta de planejamento a longo prazo sempre é o cidadão. E a “perda” de uma estação de trem, para quem mora no ABC, é apenas reflexo disso.

O partido do século XXI

Reblogged from Política - Santo André:

Há um ano atrás, falei sobre a necessidade de criação de um novo partido político, adaptado às demandas da sociedade do século XXI:

http://politicasantoandre.wordpress.com/2010/10/14/a-sociedade-do-conhecimento-necessita-de-um-partido-proprio/

Para todos os efeitos, eu defendo algumas posições:

- A não obrigatoriedade de filiação partidária para se disputar uma eleição. O sistema atual é eficiente, mas incentiva o fisiologismo quando você é obrigado a se filiar a um partido para disputar qualquer cargo.

Leia mais… 2.394 mais palavras

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Os números de 2011

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um resumo:

Um bonde de São Francisco leva 60 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 1.400 vezes em 2011. Se fosse um bonde, eram precisas 23 viagens para as transportar.

Clique aqui para ver o relatório completo

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Mudanças no blog

A partir de agora esse blog abordará apenas assuntos relativos à política municipal andreense e às políticas públicas para o município e a região. É necessário que haja tal especificidade para podermos abordar de maneira mais focada a política da região, sem misturar as propostas com assuntos de política geral.

Para acessar minhas opiniões sobre política em geral e outros assuntos, acesse http://leorossatto.wordpress.com/ - lá você vai encontrar muito conteúdo a respeito.

Um abraço e bom final de ano a todos. Que o ano de 2012 não seja apenas agitado politicamente, mas também um ano de muitas conquistas para a cidade e para cada um de nós.

 

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Mais uma estação de chuvas. Mais transtornos

Estamos em dezembro. Época em que começam chuvas torrenciais, enchentes, e em que o cidadão andreense tem sua qualidade de vida seriamente comprometida.

Espera-se que a prefeitura faça algo a respeito, parra diminuir os impactos das enchentes, melhorar o trânsito e tornar a cidade mais tranqüila nessa conturbada época entre dezembro e março.

No entanto, a espera tem sido em vão. As chuvas nem começaram ainda, e situações calamitosas, que proporcionarão transtornos absurdos, já são nítidas. Um exemplo e o fechamento iminente e necessário das pontes que ligam o Bairro Jaçatuba ao Centro de Santo André, por causa do estado deplorável das mesmas:

http://www.dgabc.com.br/News/5933687/erosao-ameaca-duas-pontes-em-sto-andre.aspx

No início desse ano já foi assim: transtornos, pontes fechadas, manutenções emergenciais e o cidadão sendo o grande prejudicado. Com as obras no Viaduto 18 do Forte, da Av. do Estado e das pontes as pessoas demoravam mais de uma hora para chegar ao centro de Santo André, em alguns casos. E tudo porque não foram realizados serviços de manutenção preventiva de forma adequada. Já falei aqui sobre o assunto, e esse ano a situaçãosó tende a piorar. A situação de colapso vivida no início de 2011 tene a se repetir, agravada, no início de 2012. Pra quem quiser conferir a lógica de toda essa situação, o texto a seguir é essencial:

http://politicasantoandre.wordpress.com/2011/03/03/a-falencia-de-uma-cidade/

O que agrava o quadro em Santo André, além da falta de investimentos e da falta de um cronograma de manutenção preventiva das vias, é o fato histórico da cidade ser separada em dois segmentos pelo Rio Tamanduateí e pela linha de trem. E o fato de sucessivos governos, nos últimos trinta ou quarenta anos, terem se empenhado muito pouco em construir passagens entre os dois setores da cidade. Mesmo sabendo que o Rio Tamanduateí transborda com freqüência cada vez maior (e muito disso devido a falta de obras de desassoreamento do rio), as sucessivas administrações municipais continuam considerando que uma única ligação sobre o Tamanduateí, com uma única pista de cada lado (apesar das promessas de ampliação), é suficiente.

Passou da hora de Santo André ter um planejamento e uma gestão integrada do território. Santo André é uma das cidades com maiores problemas de acessibilidade em seu território. Não apenas em relação à ligação entre o as duas partes da cidade separadas pela Av. do Estado, mas também em relação à ligação inexistente entre o município e os bairros de Paranapiacaba e do Parque Andreense. (mais detalhes aqui: http://politicasantoandre.wordpress.com/2011/10/19/santo-andre-uma-cidade-dividida/ )

Isso é grave, se pensarmos, por exemplo, que o Governo do Estado (ainda) quer instalar parte do Parque Tecnológico de Santo André na região. E, sem nenhuma ligação com o restante da cidade, as empresas fornecedoras das empresas do Parque Tecnológico porvavelmente não se instalarão em Santo André.

E ainda vemos um jogo de empurra entre o município e o Governo Estadual em relação às reformas das pontes na Av. do Estado, que se arrasta desde o verão passado. Isso é atitude preguiçosa, inadmissível de um administrador público. Administradores públicos adeptos do jogo de empurra não merecem nunca serem tratados como tais, uma vez que o último interesse deles é o público.

E vai prosseguindo o caos. Esse verão em Santo André será longo.

 

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Perfis de governo (em relação a planejamento e execução)

Gostaria de falar um pouco sobre alguns perfis de governo, em relação ao planejamento e à execução das ações.

Existem duas coisas importantes quando falamos de um governo: o planejamento e a execução daqui que se planeja (ou daquilo que não se planeja). Faremos um roteiro rápido falando a respeito de quatro “tipos” de governo, em relação a planejamento e execução.

1) O governo que não planeja e não executa

Em tese, é o pior tipo de governo possível. Nesse modelo, o político é eleito, sem nenhum plano global de governo, que atente para as necessidades da cidade e vislumbre cenários para 5, 10 ou 15 anos. Além disso, não possui técnicos capacitados em seu staff para a execução da verba pública e a realização de obras. Daí a cidade, o estado ou o país tornam-se caóticos, obras ficam paradas e o dinheiro público é desperdiçado com obras que servem mais como maquiagem, de fácil execução, do que obras que demandam planejamento.

Na maioria das vezes, é um governo “sob demanda”. A mídia denuncia algo, o governo age. A população reclama, o governo começa a se mexer. Mas sempre após as manifestações. É um governo sem iniciativa própria, pois faltam ideias e pessoas capazes de desenvolvê-las. Que tenta se sustentar em propaganda e obras pontuais.

2) O governo que planeja e não executa

São um tipo de governo relativamente raro, que conta com política de planejamento, pessoas que trabalham pensando no longo prazo, mas não conta com um corpo técnico capaz de transformar esse planejamento em ações. É um governo pautado pela imobilidade e pela insatisfação com os entes externos, que, supostamente, são os agentes impeditivos da execução do planejamento.

Não são. Normalmente, o planejamento não é executado porque não há gente competente para isso. Não há massa crítica para tal. O governo fica emperrado, com uma pressão constante do executivo e do legislativo sobre o limitado corpo técnico, que geralmente não dá em nada. Geralmente, governos assim são um fracasso, interna e externamente.

3) O governo que não planeja, mas executa

O terceiro tipo de governo era tradicional do Brasil dos anos 80, quando o planejamento caiu em descrédito com a crise da dívida. O governo não planeja, executa e não calcula os impactos da execução. O governo é feito de obras aleatórias, feitas sob medida para a conveniência eleitoral do momento, mas que podem causar impacto negativo depois de algum tempo.

Exemplo notório desse modelo de governo é Paulo Maluf. Obras faraônicas, muito dinheiro público gasto, e problemas enormes também. É um tipo de governo que pensa num pack de obras para conveniência imediata, pensando apenas nos 4 próximos anos e na eleição seguinte. Um tipo de governo extremamente prejudicial. Porque acaba fazendo pior do que aquele que não faz: é um governo que, em geral, faz errado.

4) O governo que planeja e executa

Em tese, é o tipo de governo ideal. A Constituição de 1988 forneceu fortes incentivos para esse tipo de governo, através dos Planos Plurianuais e das Leis orçamentárias. No entanto, o desenvolvimento desse modelo de governo ainda é lento e não conta com grande apoio político, por parte da maioria dos políticos.

É um sistema que exige transparência e acompanhamento constante. Que exige um corpo técnico qualificado, que consiga entender o planejamento e transformá-lo em ações. E ainda assim não é um sistema de sucesso garantido. Planejar e executar pode ser prejudicial se você planeja errado, não conta com as prioridades adequadas, e não consegue fazer uma boa leitura da sociedade em seu planejamento.

Por isso o planejamento não deve ser feito apenas por um conjunto privilegiado de “mentes brilhantes” ou algo do tipo. Deve levar em consideração os anseios da sociedade, as necessidades que as pessoas sentem diariamente, tudo o que se pode depreender das pessoas. No planejamento, quanto mais conhecimento adquirido, melhor.

Na execução, por sua vez, você precisa de pessoas qualificadas, capazes de compreender o planejamento e torná-lo em ações, mensurando seu impacto na sociedade. Essa é a ótica adequada. A essência do planejamento é entender as necessidades da sociedade. E a da execução é atendê-las.

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