Lições da Greve dos lixeiros e garis para o ABC

Na noite da última segunda-feira, a greve dos coletores de lixo do ABC chegou ao fim. Depois de uma semana de caos, sem coleta de lixo em seis das sete cidades da região, a categoria chegou a um acordo com as prefeituras.

Lixo acumulado no Jardim Santo André (Fonte: Repórter Diário)

Lixo acumulado no Jardim Santo André (Fonte: Repórter Diário)

No entanto, o estrago já está feito. Essa semana de lixo espalhado pelas ruas gerou inúmeros protestos dos moradores contra a imobilidade do poder público da região.  Os sistemas de contingência não foram capazes de fazer o papel dos garis enquanto esses ficaram parados, e a sensação de abandono por parte do poder público foi inevitável para a maior parte da população.

No entanto, dá pra tirar algumas lições rápidas de todo o ocorrido. Lições que fujam dos dois discursos dicotômicos presentes: o de que “a greve foi política” e o de que “o governo é podre e devíamos jogar todo o lixo na casa do prefeito”. Nenhum discurso do tipo gera nada de positivo para a região.

Então, vamos lá:

1) Greve de lixeiros é uma coisa boa

A primeira consideração é a de dar boas vindas às greves de categorias como a dos coletores de lixo. Essa greve foi fortemente inspirada na greve que os garis do Rio de Janeiro fizeram durante o Carnaval na cidade.

E por que greve de lixeiros é uma coisa boa? O motivo é simples. Lixeiros e garis são categorias historicamente menosprezadas pela sociedade. Não só com baixos salários, mas com desprezo mesmo.

Quando eu era criança, a frase “se você não estudar vai virar lixeiro” era relativamente comum. O lixeiro era o pior dos profissionais, estar lá tirando o lixo das ruas queria dizer que você fracassou em tudo na vida e não tinha expectativa nenhuma. Sim, a sociedade é preconceituosa e cruel.

Lixeiros e garis tem um serviço insalubre, repleto de riscos (de atropelamento, por exemplo) e com enorme carga social pejorativa. É uma ótima notícia que a categoria se una para lutar por seus direitos em diversas partes do país. E o lixo espalhado pelas cidades do ABC, durante toda a última semana, só provou que o serviço do lixeiro e do gari são essenciais para a preservação do bem estar nas cidades.

Que os lixeiros continuem lutando por melhores condições de trabalho. Porque o fim do trabalho precarizado e do preconceito com categorias profissionais é fundamental para nosso desenvolvimento como sociedade.

2) A demora na ação pelo poder público

Uma semana é um período perfeitamente aceitável para uma greve. No entanto, o poder público, no ABC ou no Rio de Janeiro, sofrem de um mal crônico: o da imobilidade diante de problemas urgentes.

A primeira coisa que tem que ser frisada é a incapacidade dos agentes públicos em mensurar rápido a urgência de um problema. A falta da coleta de lixo no ABC só começou a ser tratada como um problema urgente quando surgiram reclamações generalizadas da população a respeito. E então foram tomadas atitudes paliativas, como a montagem de postos de coleta (como o da foto do início do texto), que ficaram rapidamente sobrecarregados.

O que poderia ser feito?

– Agilidade nas negociações.
– Destacamento de outros contingentes públicos para fazer um sistema emergencial de coleta de lixo enquanto a greve não terminasse
– Campanhas de esclarecimento junto á população, para a produção de menos lixo no período e a separação de recicláveis.

Tudo isso foi feito, mas de forma tímida e morosa. E isso mostra que os governos do ABC tem capacidade de mobilização e liberdade de ação, permanecendo de mãos atadas em situações como essa. A ação pública rápida em casos como esses deriva do conhecimento dos agentes públicos em relação ao “estado de coisas” da cidade.

No primeiro dia de greve, os prefeitos já deveriam pedir e receber, em mãos, todas as rotas de coleta de lixo, seus horários e a quantidade de insumos necessários para o serviço, mobilizando contingentes para que os serviços fossem feitos de maneira emergencial, sem prejuízo aos cidadãos. Mas isso não foi feito (e não seria feito em nenhum lugar)

A coleta de lixo é um serviço feito sob concessão. A concessionária presta o serviço, recebendo por ele, enquanto o governo paga pela prestação do serviço. Existem obrigações de parte à parte. E uma das obrigações dos governos seria o de conhecer profundamente o serviço que a concessionária está prestando. Porque o serviço público é muito mais de interesse do governo do que da concessionária. E situações de interrupção do serviço, proporcionadas por greves ou por falência de empresas, podem ocorrer. Nessas situações o conhecimento dos governos acerca do tema é essencial para que as cidades não virem um caos até a normalização dos serviços.

Foi isso o que faltou no ABC. E que, em uma aposta conservadora, faltaria em 99% das prefeituras do país. A relação entre setor público e setor privado no Brasil ainda é muito pouco transparente: enquanto há uma separação formal muito bem delineada pela lei, há uma relação informal promíscua, baseada em doações para campanhas eleitorais em troca de concessões e de defesa de interesses.

3) Falta integração regional

O ABC paulista é uma das regiões mais integradas do país, e foi responsável por algumas iniciativas de integração inovadoras, como o Consórcio Intermunicipal do Grande ABC. Só que, em um mundo globalizado pautado pela lógica capitalista da “concorrência entre lugares” e pela reafirmação de identidades regionais, o ABC paulista só consegue protagonismo se agir de forma coordenada. Ainda mais estando ao lado da maior metrópole da América Latina.

No caso da greve dos coletores de lixo, faltou integração regional. O Sindicato estava muito mais integrado que os governos da região, e isso foi determinante no sucesso da greve. Quando os governos do ABC paulista agem juntos, saem ganhando. Quando se separam, saem perdendo. E, para ilustrar isso, cabem dois exemplos da década passada:

– Em 2003, quando Lula assumiu a presidência da República, uma de suas prioridades era a instalação de uma Universidade Federal de ponta no Grande ABC. Todas as prefeituras da região, à exceção de São Caetano do Sul, aderiram ao projeto. E isso independente de questões partidárias: todos sabiam que a instalação de uma Universidade Pública seria essencial para o desenvolvimento da região. O resultado? Em 2014, a UFABC já funciona em Santo André e São Bernardo do Campo, em prédios próprios, e deve começar a funcionar em breve em Mauá.

– Por outro lado, em 2009, o governo José Serra tinha a intenção de construir um Parque Tecnológico no Grande ABC, para atrair empresas de ponta e aproveitar a mão de obra qualificada da região, nos moldes dos que já existem em outras cidades, como São José dos Campos. O prefeito de Santo André na ocasião, Dr. Aidan, bateu o pé e quis um Parque Tecnológico exclusivo para o município. Após muita negociação, o governo estadual topou fazer dois parques na região: um em Santo André e um pro restante dos municípios. No entanto, a prefeitura de Santo André não mandou as especificações técnicas a tempo e até hoje o projeto não saiu do papel.

Em resumo: quando o ABC paulista se une na política, sai ganhando. Quando se separa, dando espaço para rivalidades políticas entre cidades, sai perdendo. A greve dos lixeiros e garis foi mais uma prova disso.

Conclusão

O ABC paulista segue sendo uma região de potencialidades, e isso é um problema e uma solução. “Ter potencialidades” é ótimo, porque mostra que há espaço para muito trabalho no desenvolvimento da qualidade de vida das pessoas, mas também é um problema, porque mostra que tem sido feito muito menos do que deveria. O lado mais positivo dessa greve de lixeiros foi a exposição desse cenário: até então, havia a sensação de que a população do ABC paulista, mesmo com todos os problemas da região (trânsito, saúde e segurança, por exemplo), estava levando a vida em banho maria, sem grandes preocupações com o que o poder público faz.

Se essa greve for um passo para que os cidadãos da região cobrem mais os seus governantes, exigindo ações planejadas, estratégicas e integradas, já terá valido a pena. Mesmo com todo o lixo que ficou na rua.

Análise da eleição em Santo André

outubro 29, 2012 3 comentários

Dr. Aidan e Carlos Grana em clima BELICOSO durante debate (fonte: carlosgrana.com.br)

Em 2008, ocorreu, na eleição andreense, uma das viradas mais surpreendentes que se tem notícia no cenário eleitoral brasileiro. Após um 1º turno tranquilo, em que Vanderlei Siraque teve quase 49% dos votos, contra pouco mais de 21% do segundo colocado, o Dr. Aidan, todos esperavam que o PT se reelegesse facilmente e completasse 16 anos à frente do Paço Municipal Andreense.

No entanto, o PT andreense estava muito desgastado. A decisão pelo candidato Vanderlei Siraque, em prévias conturbadas contra a então vice-prefeita Ivete Garcia, fez com que o partido se fragmentasse e alguns secretários do prefeito João Avamileno saíssem de seus cargos.

Além disso, o governo de Avamileno mostrava muito desgaste. Após a tragédia envolvendo o prefeito Celso Daniel, em 2002, foram sete anos de administração, de continuidade. No entanto, a figura de Celso Daniel, orientador do projeto petista em Santo André, fazia muita falta. O governo foi tocando os projetos que podia, mas sete anos depois já não havia um planejamento. E a cisão no PT, antes das eleições de 2008, fez com que o planejamento não adquirisse a dimensão necessária.

Além disso, era notório que a cidade estava um pouco “mal cuidada”. E o PT estava desgastado por denúncias de corrupção.

Mesmo com todo esse cenário, Vanderlei Siraque ficou muito perto de levar a eleição ainda no 1º turno. No 2º turno, porém, Dr. Aidan soube utilizar o desgaste da administração petista em seu favor. Conseguiu uma virada improvável e fez Vanderlei Siraque ter menos votos do que no primeiro turno.

Apesar do marketing, Dr. Aidan não se elegeu em 2008 por mérito próprio, e sim por desgaste do PT andreense. Era notório que o afastamento do poder poderia fazer “bem” ao PT andreense, para que o partido de fato se empenhasse na criação de um novo projeto para a cidade.

Obviamente, foi uma derrota pesada para o PT. Não apenas pelas circunstâncias, mas pelo fato de que o Dr. Aidan, com a máquina pública ao seu lado, tinha todas as possibilidades de fazer um bom mandato e se reeleger, afastando definitivamente o PT da cidade.

Mas não foi isso que aconteceu. Após sair atrás já no primeiro turno, o Dr. Aidan se tornou o primeiro prefeito andreense a não conseguir se reeleger desde a criação da lei da reeleição, em 1997.

Existem duas coisas distintas ocorrendo. A primeira delas é a derrocada do projeto político do Dr. Aidan, que qualificou a eleição como “avaliação de sua administração”, e viu as urnas reporvarem o seu governo. O segundo é a retomada do controle andreense pelo PT, com um novo nome, que não tinha envolvimento com as antigas lideranças do partido, desgastadas após as eleições de 2008.

Um fato curioso do processo eleitoral andreense é que nas últimas três eleições a cidade teve 2º turno. E, nas três eleições, os resultados foram parecidos, embora com o lado vencedor invertido:

Resultados Aproximados

2004: João Avamileno 54% x 46% Newton Brandão

2008: Aidan Ravin 54% x 46% Vanderlei Siraque

2012: Carlos Grana 54% x 46% Aidan Ravin

Análise

Nesse contexto, é necessário analisar a eleição. E foram montados dois textos para isso. Ainda que sejam o mesmo evento, é necessário analisar, separadamente, a derrota do Dr. Aidan e a vitória de Carlos Grana.

Boa leitura a todos:

Por que o Dr. Aidan perdeu?

Por que Carlos Grana ganhou?

Categorias:Santo André

Por que Carlos Grana ganhou?

outubro 29, 2012 16 comentários

Em 2008, o PT saiu arrasado da eleição andreense. O partido estava rachado, sem perspectivas, e tinha perdido o controle da cidade após 12 anos. Não existia nenhum nome capaz de unir o partido em uma eleição majoritária. Nomes como João Avamileno e Vanderlei Siraque eram tidos como vilões no partido, por “terem feito o PT perder Santo André”.

Apesar da oposição incisiva, existia um medo sério de que o partido nunca mais reconquistasse a prefeitura da cidade. O então presidente Lula tratava, desde a derrota de 2008, da reconquista da cidade de Santo André como “uma questão de honra”. E nesse sentido começou a trabalhar desde 2009, sabendo que precisaria criar um nome de consenso para o partido na cidade de Santo André.

Foi então que Lula se lembrou de um velho amigo, também sindicalista, que tinha um histórico de ocupar postos de direção nos sindicatos do ABC, na CUT e na Confederação Nacional dos Metalúrgicos: Carlos Grana. E, já em 2010, preparou o terreno para a eleição de Carlos Grana a prefeito com um artifício que não usou em nenhum outro lugar: na eleição para Deputado Estadual, em 2010, Lula, ainda na condição de Presidente da República, declarou voto em Carlos Grana. O resultado foi imediato: Carlos Grana foi eleito deputado estadual com mais de 126 mil votos. E passou a ser um dos principais nomes do PT andreense.

Em um cenário com o Deputado Federal Vanderlei Siraque e o ex-prefeito João Avamileno desgastados, ele era considerado, já em 2011, o nome ideal para a disputa da prefeitura. O consenso, forçado por Lula, fez com que o PT tivesse muito foco na montagem de seu plano de governo, que foi feita durante mais de quatro meses desde o início de 2012, em reuniões semanais temáticas, com ampla participação de partidários e de diversos setores da sociedade andreense.

Já nessa época definiu-se o nome de Oswana Famelli como vice-prefeita. Apesar de ser filiada ao PRP, partido irrelevante na política local, Oswana tinha um papel importantíssimo: como representante da ACISA, estabelecia o vínculo com as entidades empresariais da cidade. E ajudou a angariar doações para a campanha.

Como plano de governo feito, a missão era dura: vencer o aparato do Dr. Aidan, que contava com a máquina da prefeitura em sua campanha, e ainda convencer o eleitor de que Carlos Grana era do PT, mas que, a exemplo de Dilma Rousseff e Fernando Haddad, representava um novo momento do partido, com quadros renovados e sem muitos vínculos com o governo anterior, desgastado. Tudo isso expondo ideias e montando um novo projeto para Santo André, com ênfase no planejamento de longo prazo.

No primeiro turno, a receptividade do público as ideias de Carlos Grana foi maior que o esperado. A vitória parcial, por uma margem de mais de 20 mil votos, fez o PT vislumbrar de fato a volta ao poder em Santo André. No segundo turno, os ataques se intensificaram e a campanha se desviou do debate de propostas, caindo em temas como “se Carlos Grana mora de fato em Santo André”.

Esse desvio de foco favoreceu a campanha de Carlos Grana. Além de responder às acusações adversárias, o deputado firmou território com propostas simples e de larga aceitação na cidade, como o “Bilhete Único em 90 dias”, e em setores negligenciados pelo governo do Dr. Aidan, como o caso do Estádio Bruno José Daniel.

Os inúmeros erros do Dr. Aidan deram uma derradeira chance ao PT andreense. Todos sabem, dentro do partido, que não haverá outra oportunidade como essa. Que essa oportunidade, por si só, já foi uma dádiva, proporcionada por um governo medíocre, por parte do Dr. Aidan. Que se o governo do Dr. Aidan fosse um pouco melhor o PT provavelmente não voltaria mais ao poder na cidade.

Duas parcerias são importantes para o governo de Carlos Grana. A primeira delas é com o governo federal, de onde a cidade deverá receber muitos recursos. A segunda é com os prefeitos ao redor, especialmente os do mesmo partido: Fernando Haddad, em São Paulo, Luiz Marinho, em São Bernardo do Campo, e Donisete Braga, em Mauá.

Conclusão

O PT venceu em Santo André porque fez um plano de governo mais completo, esteve unido e soube aproveitar as inúmeras lacunas do governo Aidan. O partido soube se organizar e pela primeira vez em vinte anos governará simultaneamente as cidades de Santo André e São Bernardo do Campo. Essa situação inédita pode impulsionar o desenvolvimento regional, com a retomada das atividades no Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, negligenciado pelo governo do Dr. Aidan.

A cidade deve cobrar, durante os próximos quatro anos, o prefeito Carlos Grana por suas promessas de campanha. Deve avaliar seu governo e colaborar com propostas complementares. Planejamento não é uma peça imutável. Ele muda de acordo com as mudanças nas necessidades dos cidadãos. Ainda existem muitos problemas no PT andreense. Muitas pessoas com aquela mentalidade que levou o partido à derrota nas eleições de 2008. Mas o partido está muito mais aberto ao diálogo hoje do que naquela época. O mínimo que se espera é que o partido continue aberto ao diálogo pelos próximos quatro anos.

Categorias:Santo André

Por que o Dr. Aidan perdeu?

outubro 29, 2012 18 comentários

Em 2008, o Dr. Aidan surgiu como uma opção política nova em uma cidade repleta de quadros desgastados.

Além do PT, desgastado com 12 anos de administração, tínhamos Raimundo Salles, que é visto com maus olhos por boa parte da população por sempre tentar forçar a barra em um projeto político próprio, gastando muito dinheiro, e o já falecido ex-prefeito Newton Brandão.

Nesse cenário, a vaga para o segundo turno foi uma surpresa relativa. A campanha do Dr. Aidan era “pobre”, sem pujança, mas a falta de opções o alçou como um nome viável para retomar a prefeitura andreense para o PTB (que não governava a cidade desde o quadriênio 1993-1996, com Newton Brandão)

A cisão no PT e o apoio de muitos setores empresariais no 2º turno ajudaram na eleição do Dr. Aidan. O seu projeto de governo era muito genérico, com coisas colhidas nas reuniões em que o prefeito atuava. E acabou vencendo a eleição em uma virada histórica, que acabou virando case eleitoral, por conta de toda uma circunstância favorável.

Se o Dr. Aidan não se elegeu por méritos próprios, uma coisa podemos dizer: ele não se reelegeu por demérito próprio.  Com a máquina pública ao seu lado, o prefeito teve todas as oportunidades de fazer um bom mandato e, para a alegria dos antipetistas, expulsar definitivamente o partido da cidade.

Mas, como as urnas comprovam, Dr. Aidan não teve sua administração aprovada pelos andreenses. Alguns motivos são esses:

1) Carência de corpo técnico qualificado: sempre que se conversava com funcionários comissionados da prefeitura, o discurso era um só “ah, antes, na época do PT, havia cinco ou seis funcionários pra onde hoje tem um ou dois”. E consideravam isso um grande mérito do Dr. Aidan em enxugar a máquina administrativa.

No entanto, nos quatro anos de mandato, duas coisas ficaram notórias: a falta de capacidade de planejamento e a falta de capacidade de executar da equipe do Dr. Aidan. Isso ocorria, de fato, porque o Dr. Aidan não tinha equipe qualificada suficiente. Existiam bons funcionários, obviamente, mas a maioria deles era indicação política, sem grande experiência e capacidade administrativa. E eles eram insuficientes para administrar uma cidade do tamanho de Santo André.

2) Incapacidade de firmar parcerias e cumprí-las: o governo do Dr. Aidan contava com apoios importantes, como o do governo estadual do PSDB. Foram várias as parcerias sugeridas e firmadas, que a equipe do Dr. Aidan não conseguiu levar adiante. As duas mais notórias foram em relação ao Parque Tecnológico e ao Poupatempo (que, aparentemente, será construído até 2014, depois de muita insistência do governo do Estado).

Além disso, o governo do Dr. Aidan foi incapaz de tomar qualquer atitude no âmbito regional, não participando de uma única reunião do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC. E também não conseguiu firmar parcerias com as universidades da cidade. Nem mesmo as parcerias com as incorporadoras foram adiante, por conta de entraves burocráticos.

3) Incapacidade de assumir erros: esconder erros é uma atitude hipócrita, que desgasta mais do que ser honesto. Todos erram, todos os governos contam com erros e acertos, e não assumi-los é uma atitude temerária. A equipe do Dr. Aidan era pródiga em jogar a culpa nos outros. Problemas no Semasa? Culpa da gestão anterior. Avenidas marginais caindo nos rios? Culpa do DAEE, que é do governo do estado. Pontes sendo interditadas sem nenhum planejamento? Culpa do governo anterior, que não investiu na manutenção. Estádio fechado para o público depois de uma reforma que a prefeitura prometeu e fez pela metade? Culpa da torcida.

Quem não assume responsabilidades para si não pode ocupar qualquer cargo público que seja. Porque  o sentido do cargo público está justamente em diagnosticar problemas, assumi-los e resolvê-los da melhor maneira para o cidadão. Independente do que aconteceu antes.

4) Falta de resultados: o resultado óbvio da falta de planejamento e da falta de execução é a falta de resultados. Mas, na campanha eleitoral, a equipe do Dr. Aidan tentou mostrar uma realidade diferente, cheia de resultados maravilhosos, em uma cidade pujante e que cresce a cada dia. O grande problema, aí, é que o discurso não condiz com a realidade. A cidade está catastrófica? Não. Mas o Dr. Aidan não fez quase nada do que prometeu em 2008. Os resultados que ele diz ter não condizem com a percepção que os eleitores tem da cidade.

A campanha eleitoral

A própria campanha do Dr. Aidan tinha consciência sobre esses problemas. Existem três tipos de eleitores em Santo André. O primeiro, público cativo do Dr. Aidan, é o antipetista que vota em qualquer coisa porque odeia o PT ou tem medo dele. O segundo é o petista, que vota no partido em qualquer circunstância e acha que o mensalão é perseguição política, dentre outras coisas. O terceiro é o sujeito que não tem posição definida e pode ser convencido a votar em qualquer um, levando em conta os programas de governo, a situação da cidade e o que ele “ouve falar” nas ruas.

A equipe do Dr. Aidan concentrou o foco de sua campanha em críticas ao PT. A estratégia era simples: fomentar o antipetismo na cidade. O mesmo antipetismo que o ajudou em 2008. E isso não para conquistar aqueles que já votariam nele de qualquer jeito, mas para convencer essas pessoas a conquistarem outros votos.

Com essa estratégia, a equipe do Dr. Aidan desviou o foco do debate de propostas. Partiu para o ódio político puro e simples. Esse tipo de postura subestima a inteligência do eleitor. E fez o prefeito perder votos justamente na faixa de eleitores indecisa, que poderia votar em qualquer um dos dois lados no 2º turno.

Além disso, o Dr. Aidan demorou demais a se mexer. O resultado do 1º turno, em que Carlos Grana venceu por 20 mil votos, foi um golpe que a equipe petebista não conseguiu assimilar. No começo da campanha, era claro o clime de “já ganhou”. Ao contrário da “pobreza” de 2008, a campanha da reeleição do Dr. Aidan era de longe a mais rica de todas, em aparato e exposição. Só que o Dr. Aidan começou efetivamente a participar da campanha apenas no 2º turno, quando Carlos Grana já era conhecido em toda a cidade. Daí a missão ficou muito mais difícil.

De difícil, tornou-se quase impossível por dois motivos simples: a arrogância do Dr. Aidan, que ainda achava que, de fato, derrotaria Carlos Grana facilmente, e o desvio do foco par assuntos que não fazem muita diferença na vida do cidadão andreense, como o julgamento do Mensalão pelo STF ou o local de residência do candidato Carlos Grana. Apesar de Santo André ser uma cidade bem mais provinciana que São Paulo e do discurso ter dado certo para mais de 46% da população que participou de fato do processo eleitoral, foi insuficiente para virar o jogo. Dr. Aidan entrou para a história como o primeiro prefeito andreense a não se reeleger.

Consequências

A derrota foi catastrófica para o Dr. Aidan. Não apenas pela perda da prefeitura, mas por causa da estratégia utilizada. Com a campanha de ódio ao PT perpetrada pelo Dr. Aidan, a maioria dos que votaram nele vão culpá-lo por não ter feito uma administração boa o suficiente para “expulsar em definitivo” o PT da cidade. Ou seja: além da rejeição de boa parte da cidade, que considerou seu governo ruim, agora o Dr. Aidan vai ter que lidar com a rejeição de boa parte dos antipetistas da cidade, que vão considerá-lo o grande responsável pela volta do partido ao poder em Santo André.

O descaso em algumas situações específicas, como o caso do Estádio Bruno José Daniel, também acabou sendo decisivo para a derrota  do prefeito, que subestimou o clube e no final de sua administração ainda comprou briga com a torcida do clube, após acusá-la de destruir o estádio em carros de som eleitorais.

Aidan Ravin sai da prefeitura menor do que entrou. E, para desespero de Campos Machado e Roberto Jefferson, perde a última trincheira do PTB entre os municípios com mais de 200 mil eleitores no Brasil todo. Junto com o DEM, foi o partido que mais encolheu nessa eleição. E, por incrível que pareça, o governo medíocre do Dr. Aidan foi decisivo para esse encolhimento.

Categorias:Santo André

Vereadores eleitos em Santo André – análise das bancadas

outubro 8, 2012 30 comentários

Esses são os 21 vereadores eleitos em Santo André.

Por partido

PT: 5 vereadores.

PTB: 4 vereadores

PMDB, DEM, PDT e PT do B: 2 vereadores.

PSB, PRB, PV e PRP: 1 vereador.

Evolução entre 2008 e 2012

PT: perdeu 1 vereador. De 6 para 5 vereadores. Montorinho e Tiago Nogueira se reelegeram. Eduardo Leite, Bete Siraque e Luiz Alberto são novidades. Antonio Leite, Jairo Bafile, Cláudio Malatesta e Jurandir Gallo não se reelegeram.

PTB: de três para quatro vereadores. Luiz Zacarias voltou à Câmara Municipal. Aílton Lima, ex-PDT, se reelegeu. Roberto Rautenberg com o discurso de proteção aos animais. E o Coronel Edson Sardano também se elegeu. Israel Zekcer e Gilberto Primavera não conseguiram reeleição.

PMDB: permaneceu com seus dois vereadores, Sargento Juliano e José de Araújo.

O DEM perdeu um vereador e também está com dois. Bahia e Toninho de Jesus (que herdou a vaga de Geraldino Isqueiro) conseguiram se reeleger. Pinheirinho não.

O PDT, que não tinha nenhum vereador com a saída de Aílton Lima, elegeu dois: Cosmo do Gás e Lobo.

O PT do B, que também não tinha representação na Câmara Municipal andreense, elegeu Elian Santana e o Dr. Marcos Pinchiari.

O PSB também regrediu. Tinha dois vereadores e agora só tem um. Almir Cicote foi reeleito, enquanto o Dr. José Ricardo não conseguiu votação suficiente.

O PRB, depois de não conseguir vaga na Câmara em 2008 mesmo tendo o vereador mais votado (Luiz Zacarias), elegeu Bispo Ronaldo como vereador.

O PV permaneceu com Donizeti Pereira como representante único na casa.

O PRP, que não tinha representação, conseguiu eleger um vereador também, Tonho Lagoa.

o PSL deixou de ter representação quando Alemão do Cruzado saiu do partido e foi para o recém-fundado PSD, em 2011. E o PSD permaneceu sem representação. Alemão do Cruzado não conseguiu ser eleito.

No entanto, o grande perdedor da eleição municipal andreense foi o PSDB. O partido tinha três vereadores em 2008. Paulinho Serra, impedido de concorrer à prefeitura, saiu do partido e foi para o PSD no meio de 2012, não concorrendo à reeleição. Marcos da Farmácia e Dr. Marcelo não conseguiram votos suficientes para se reeleger.

O fato é que Grana ou Aidan, se eleitos, precisarão negociar. A Câmara andreense está muito fragmentada. Não há uma bancada dominante, e os votos se dividiram entre as coligações.

No total, 9 dos 21 vereadores se reelegeram em Santo André. A Câmara Municipal teve 57% de renovação. Sinal nítido de que os munícipes não estão satisfeitos com a atuação dos legisladores nos últimos quatro anos.

E ainda há um fato que deve ser considerado: a possibilidade do número de vereadores em Santo André aumentar para 27, ainda no início do próximo mandato. O aumento no número de vereadores, recusado em primeira instância, ainda pode ocorrer, caso a decisão seja revertida.

Categorias:Santo André

O plano de governo comprova: Dr. Aidan não cumpriu suas promessas

outubro 6, 2012 7 comentários

No último texto, verificamos que o Dr. Aidan cumpriu mais ou menos 30% das promessas que fez em eventos públicos.

Só que avaliar as promessas públicas não é suficiente. É necessário avaliar o programa de governo do candidato e ver se o mesmo foi cumprido.

Cientes dessa necessidade, disponibilizamos para consulta o Plano de Governo do Dr. Aidan, da eleição de 2008. Todas as propostas e diretrizes de governo estão nele. É uma apresentação de 73 slides.

Resumo do Programa de Governo do PTB – Eleições 2008

Para facilitar a consulta, vou realçar aqui as Diretrizes do governo do PTB, de acordo com o projeto de 2008:

Saúde

Criação do POUPATEMPO DA SAÚDE (Centros de Especialização) ; num mesmo local serão feitos a maioria dos atendimentos, serviços e exames de uma determinada especialidade, haverá agilidade no diagnóstico e início do tratamento.

PROGRAMAS DE PREVENÇÃO para as mulheres, homens, crianças e idosos de forma estruturada e programada, o diagnóstico preventivo faz com que o paciente seja atendido mais rápido e melhor. Viabilizar medicina preventiva com ATENDIMENTO MÓVEL em parceria com a iniciativa privada.

Incentivar o projeto de MÉDICO DE FAMÍLIA, dando mais autonomia aos médicos para agilizar o tratamento do paciente, implantar o projeto em todas as regiões de Santo André.

Otimizar o SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO DE REMÉDIOS (“DIA CERTO”) aos cidadãos de forma a evitar que a população fique indo em busca de remédios em vários postos de distribuição. Mudar o modelo de administração e introduzir controle de estocagem e distribuição de forma informatizada.

Por conta da precariedade no atendimento da saúde em Santo André se faz necessário um PROGRAMA INTEGRADO PÚBLICO /PRIVADO em toda rede da saúde de Santo André e simultaneamente viabilizar um PROGRAMA INTEGRADO ABCDMRR.

CENTRO HOSPITALAR MUNICIPAL: TRANSFORMAR EM HOSPITAL DE REFERÊNCIA

PRONTO ATENDIMENTOS: TRANSFORMAR EM MINI HOSPITAIS

Trabalhar próximo ao Governo Estadual como Região ABCDMRR para buscar INTEGRAÇÃO DOS SISTEMAS DE SAÚDE MUNICIPAL E ESTADUAL; como Região ABCDMRR o poder de negociação, via Consórcio Intermunicipal do Grande ABC é maior perante o estado (saúde não tem partido).

Reestruturar todo o SISTEMA DE GESTÃO DA SAÚDE tendo como enfoque principal atuações preventivas e transforma-lo num SISTEMA DE GESTÃO DA SAÚDE SUSTENTÁVEL

Qual é a realidade da saúde andreense hoje? Não parece muito melhor do que há 4 anos atrás. O único progresso real foi a instalação do Poupatempo da Saúde, em parceria com o governo estadual, e a melhoria de três dos pronto Atendimentos. Todo o restante das promessas, como o Médico da Família e os projetos de integração dos sistemas de saúde via Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, acabaram nem saindo do papel.

Educação

ACESSO À EDUCAÇÃO: Promover o acesso à uma educação de qualidade, em todas as etapas e níveis.

ESCOLAS INFANTIS: PRIORIZAR DE FATO RECURSOS e investimentos às escolas infantis com planejamento escolar adequado e implantar quadro curricular único na região em linha com parâmetros curriculares nacionais.

SISTEMA DE AVALIAÇÃO: Avaliação de alunos não usando somente o CRITÉRIO DE FREQUÊNCIA para aprovação, UMA REVISÃO juntamente com órgãos da educação se faz necessária.

QUALIDADE DO ENSINO: Priorizar a busca da qualidade do ensino público em projetos de PARCERIAS valorizando o Conselho Municipal de Educação com a Sociedade Civil, representantes da Educação de Santo André, Entidades Setoriais e de Classes.

EDUCAÇÃO ESPECIAL DE INCLUSÃO: CRIAÇÃO DE SALAS ESPECIAIS e PREPARAÇÃO DOS PROFESSORES

ESPORTE E ATIVIDADES CULTURAIS: FOMENTAR O ESPORTE E PRÁTICAS CULTURAIS nas escolas para fazer com que os alunos voltem a GOSTAR de estudar e ESTAR na escola.

RE-APARELHAGEM DAS ESCOLAS: Uniformes, transporte, mobiliários, computadores, materiais escolares, segurança, viabilizar parcerias com segmento privado, associações e entidades setoriais.

CAPACITAÇÃO CONTÍNUA DOS PROFISSIONAIS DO ENSINO: Projeto efetivo para os profissionais do ensino, a partir de uma política pública de VALORIZAÇÃO DO DOCENTE, do estabelecimento de referenciais de ensino e aprendizado baseado na realidade regional, permitindo a compreensão da importância do processo de formação educacional com um meio de emancipação, desenvolvimento e melhoria das condições de vida de todos aqueles que acessarem qualquer
nível de educação.

DISCIPLINA E SEGURANÇA: Estabelecer e implantar LIMITES DISCIPLINARES nas escolas públicas municipais , também no ENTORNO das escolas com a contribuição de ações em PARCERIA com a GUARDA MUNICIPAL no trabalho preventivo.

PARCERIAS NA EDUCAÇÃO EM BUSCA DA SUSTENTABILIDADE:
• Escola Pública + Escola Particular = Bolsas de Estudo (demanda/financiamento), Programas Educacionais, Propostas Pedagógicas, etc)
• Administração Pública + Cidadão = Incentivos Fiscais (IPTU em dia = Desconto na Escola…)
• Administração Pública + Segmento Privado = Programas de Formação / Capacitação /Empregabilidade

Infelizmente, na Educação, o progresso não passou nem perto do prometido. As escolas municipais apresentaram duas inovações importantes, de acordo com a prefeitura: a municipalização do ensino e a distribuição dos uniformes (ainda que alguns meses após o início do ano letivo). As parcerias prometidas não saíram do papel e não devem sair. E algumas promessas caem no conservadorismo de Facebook, como “colocar limites disciplinares”, como se isso fosse prerrogativa do prefeito. A verdade é que o programa era muito fraco, e mesmo assim não foi cumprido.

Segurança Pública

Buscar a SINTONIA DE AÇÕES entre as FORÇAS POLICIAIS CIVIL E MILITAR juntamente com a GUARDA MUNICIPAL, objetivando uma melhor prestação de serviço de segurança pública à população, proporcionando como consequência uma melhor qualidade de vida à sociedade Andreense, focando e priorizando os seguintes pontos:

Criação da SECRETARIA DE SEGURANÇA PÚBLICA MUNICIPAL

Implantação da RONDA MUNICIPAL com especial atenção à RONDA ESCOLAR MUNICIPAL

Implantação de BASES COMUNITÁRIAS FIXAS E MÓVEIS em pontos estratégicos da segurança

Criação de CÉLULA DE SEGURANÇA com responsabilidade do monitoramento de câmeras nos centros comerciais da cidade, e em centros de concentração da população como escolas, UBS´s, estações ferroviária e rodoviária, etc
PLANO DE CARREIRA NA GUARDA MUNICIPAL

Aperfeiçoar o TREINAMENTO DO EFETIVO DA GUARDA MUNICIPAL DE SANTO ANDRÉ

Melhorar o APARELHAMENTO DA GUARDA MUNICIPAL DE SANTO ANDRÉ (motos)

Participar, incentivar e atuar no CONSÓRCIO DA REGIÃO DO ABC para que juntamente com as cidades da região do ABCDMRR sejam encontradas soluções de segurança com atuações estratégicas, táticas, preventivas e corretivas de forma abrangente e integrada.

De fato, foi criada a Secretaria de Segurança e Trânsito de Santo André. E só isso. A ronda por motos está sendo feita esporadicamente, em algumas regiões de maior interesse (como o Bairro Jardim, por exemplo). E, tirando a parte relativa à guarda municipal, mais nada aí foi feito. Nada mesmo.

O mais engraçado é que, assim como na Saúde, o Dr. Aidan prometeu efetuar ações junto ao Consórcio Intermunicipal do Grande ABC. Sabem em quantas reuniões do Consórcio o Dr. Aidan foi desde 2009, quando assumiu a prefeitura? Em nenhuma. Não dá nem pra falar que ele não conseguiu cumprir as promessas de integração. Ele nem tentou.

Sustentabilidade

Recuperação e Crescimento Econômico com implantação de PROJETOS SUSTENTÁVEIS para Geração de Riqueza

Implantar MODELO DE GESTÃO MATRICIAL, que é o Modelo Tradicional de Gestão (secretarias) integrado com o Modelo de Sustentação dos CINCO PILARES

Implantar PROJETOS E AÇÕES em todas as secretarias alinhados com os CINCO PILARES do Modelo de Gestão

Você ouviu falar, desde 2009, em “Gestão Matricial”? Em “cinco pilares”? Pois é. Ninguém ouviu. A promessa de campanha ficou na campanha e não saiu do papel.

Modelo de Gestão Matricial – 5 Pilares

Os “5 pilares” da Administração do Dr. Aidan

Tirando o Cidade Interativa, prometido como uma inovação histórica e que se reduziu a um site com informações e serviços muito limitados, mais nada foi feito. O Cidade Interativa, lançado no início de 2010, era de fato uma boa ideia. Mas o ritmo de obras da prefeitura não acompanhou as demandas da população. O resultado foi um monte de recapeamentos mal feitos e operações tapa-buracos que transformaram as ruas da cidade em pistas de rally.

De dois meses pra cá, algumas valetas estão sendo refeitas. Fruto daquela mentalidade eleitoreira de “transformar a cidade em um canteiro de obras” no último ano de mandato. Só que o recapeamento tem sido mal feito, como em toda a gestão, deixando desníveis em ruas que não tinham esses desníveis antes.

Todo o resto aí, infelizmente, virou lenda. É no máximo uma boa apresentação de Powerpoint.

Integração Regional

Participar ativamente no CONSÓRCIO ABC em busca de PROJETOS SUSTENTÁVEIS comuns para as cidades do ABCDMR em todos os setores e áreas de reponsabilidade da Gestão Pública

Buscar PARCERIAS no segmento privado para desenvolvimento de projetos voltados à atividades de GERAÇÃO DE RIQUEZA, em conjunto com as demais cidades do ABCDMR

Buscar soluções em PARCERIA COM TODAS AS CIDADES DO ABCDMR em todas as áreas do setor público e negociar com o os governos Estadual e Federal financiamentos de obras de INFRAESTRUTURA, PROJETOS DA SAÚDE / SEGURANÇA, TRÂNSITO, EDUCAÇÃO, CULTURA, SANEAMENTO BÁSICO, ESPORTE E LAZER, ETC

Como já foi dito, essa promessa foi uma enorme falácia. Além de não participar de nenhuma reunião do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC nos últimos 4 anos, o Dr. Aidan, ainda em 2009, teve uma atitude decisiva contra a integração regional.

O governo estadual queria instalar um Parque Tecnológico compartilhado entre os sete municípios do Grande ABC. Havia certo consenso entre os demais municípios, mas o Dr. Aidan não aceitou a proposta. Queria um Parque Tecnológico apenas para Santo André, separando os projetos em dois.

Por interesse político (Dr. Aidan é do PTB, da base governista do Estado, enquanto Luiz Marinho é do PT, de oposição), o governo estadual aceitou a proposta do Dr. Aidan. Em março de 2010, o credenciamento do Parque Tecnológico andreense entrou no SPTec (Sistema Paulista de Parques Tecnológicos), e, a partir daí, Santo André tinha o prazo de 14 meses para aprovar o projeto. Mais de dois anos depois, em junho de 2012, às vésperas do embate eleitoral, o projeto foi colocado em pauta. E recusado pela Câmara dos Vereadores. O resultado é que dois anos e meio depois de aprovado, o projeto ainda não saiu do papel. E virou promessa da atual campanha do Dr. Aidan.

Desenvolvimento Econômico

RECUPERAÇÃO E CRESCIMENTO ECONÔMCO com implantação de PROJETOS SUSTENTÁVEIS viabilizando atividades de GERAÇÃO DE RIQUEZA

Agir em PARCERIA com as INDÚSTRAIS LOCAIS para buscar alternativas de novos investimentos em Santo André: ATRAIR FORNECEDORES, alocar nas empresas NOVAS ATIVIDADES COM VALOR AGREGADO (Centro de Pesquisas, Serviços Diferenciados, Armazenamento de Estoque e Distribuição, Desenvolvimento de Tecnologia, etc)

Viabilizar geração de ATIVIDADES DE SERVIÇOS ESPECIALIZADOS para as empresas locais e principalmente para prestações de serviços às empresas do ABC / Brasil (Tecnologia de Informática, Consultorias em Geral, Centro Médicos / Hospitalares, etc)

O programa de desenvolvimento econômico do Dr. Aidan em 2008 era simplório. Se ele copiasse essa postagem minha (é de 2012, eu sei) sairia algo melhor. Isso torna ainda mais triste o fato de que ele não cumpriu nada do que está escrito aí. Nada. Não atraiu empresas com projetos sustentáveis, não atraiu novas atividades com alto valor agregado, não atraiu serviços especializados. Não fez uma mísera parceria com as Universidades da cidade. Passou quatro anos liberando alvarás para construtoras erguerem prédios residenciais, como se isso fosse trazer desenvolvimento econômico para o município.

Inclusão Social

ALUNOS COM NECESSIDADES ESPECIAIS: Revisar modelo de inclusão, treinar professores, criar classes especiais para os alunos especiais

CAPACITAÇÃO DE PESSOAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS: Desenvolver PARCERIA com segmento privado, escolas, associações e prefeitura e implantar PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO

COOPERATIVAS DE RECICLAGEM DO LIXO: Em PARCERIA DA PREFEITURA E SEGMENTO PRIVADO, desenvolver Projeto de Cooperativas de Reciclagem nas áreas de plásticos, papel, borracha, metais ferrosos e não ferrosos e PREFEITURA

PROJETOS DE INCLUSÃO DE CRIANÇAS E IDOSOS: Em PARCERIA DA PREFEITURA E SEGMENTO PRIVADO E CLUBES / ESCOLAS / ASSOCIAÇÕES desenvolver Projetos de Inclusão com atividades esportivas, culturais, recreativas e educacionais

O que mais impressiona, mais uma vez, nem é o fato da maioria das diretrizes acima não terem sido cumpridas, e sim a pobreza do programa. Quatro frases: uma delas específica para a educação, uma em relação á reciclagem do lixo e dois projetos de inclusão genéricos. O de crianças e idosos nem saiu do papel. Essa administração é péssima com parcerias, porque desconfia de todo mundo.

Meio Ambiente

Investir em EQUIPAMENTOS para aterro sanitário como USINA DE COMPOSTAGEM e RECICLAGEM que reduz em até 50% o volume do lixo, dando maior vida útil ao aterro sanitário

Otimizar COOOPERATIVAS DE RECICLAGEM E SISTEMA DE COLETA DE LIXO SELETIVA com parceria com a iniciativa privada em segmentos de interesse de reciclagem (papel, plásticos, metais, borracha, vidro, etc)

SISTEMA DE CAPTAÇÃO DE ESGOTO, interligar com a Estação de Tratamento de Heliópolis

Criação de ÁREAS DE INTERESSE AMBIENTAL nas áreas de manancial e urbana, com objetivo de preservar e/ou recuperar áreas com características naturais (revisar o Plano Diretor)

Buscar RECURSOS estaduais, federal e do Banco Mundial para investimentos em projetos do meio ambiente e saneamento básico em geral

A prefeitura não buscou recursos estaduais, federais ou do Banco Mundial. E o Semasa gasta muito dinheiro, desde 2010, com aterros particulares. Além disso, o investimento em novos sistemas de captação de esgoto foi ínfimo. O resultado: com a onda de novos prédios residenciais sendo construídos na cidade, o esgoto começa a ficar sobrecarregado.

 Além disso, a falta de investimento gerou situações constrangedoras, como a interdição emergencial de vias que margeiam córregos, como a Av, das Nações, a Av. Capitão Mário Toledo de Camargo e a Av. dos Estados. Obras de recomposição de encostas foram contratadas emergencialmente (e mais caro) porque as pistas simplesmente começaram a cair para dentro do rio na época das chuvas. E isso comprometeu não só a mobilidade urbana, mas toda a dinâmica do município.

Transporte e Trânsito

Ações de CURTO PRAZO com objetivo de eliminar PROBLEMAS EMERGENCIAIS, tais como:

Sincronizar o funcionamento dos SEMÁFOROS nas vias de alto trânsito de veículos nos horário de pico

Criação do “BINÁRIO” nas avenidas D.Pedro II e Industrial, TRINCHEIRA na Av.Pereira Barreto/ Av.Gilda, etc

Criar BOLSÕES DE ESTACIONAMENTOS (veículos e bicicletas) próximos às estações ferroviária e rodoviária

Estudar e implementar CORREDORES DE ONIBUS E CORREDORES DE BICICLETAS (CICLOVIAS) em vias de alta circulação de passageiros de transporte público e ciclistas

Ações de MÉDIO PRAZO com objetivo de eliminar PROBLEMAS RELEVANTES, tais como:

A criação de um PLANO DIRETOR DE TRANSPORTE & TRÂNSITO, tomando em consideração:

ESTACIONAMENTOS na área urbana de Santo André: Estudar e implantar juntamente com representantes das regiões , entidades setoriais e associações projetos de interesse da população (PLANO DIRETOR)

Estudar e implementar projetos tomando em consideração o impacto do RODOANEL na região

Obras de infraestrutura: COMPLEMENTO DA OBRA CASSAQUERA (transpor o rio), VIADUTO PREFEITO
SALADINO (transpor o rio), VIADUTO UTINGA (transpor o rio) ETC

RECURSOS DOS GOVERNOS ESTADUAL E FEDERAL: Buscar recursos do PAC e outros, em PARCERIA com os
demais municípios da região do ABC

CONSÓRCIO ABC: Participar intensamente com o objetivo de buscar soluções regionais

Aumentar EFETIVO DE ONIBUS de transporte público de acordo com a demanda

O caos no trânsito andreense, em que infelizmente é comum levar uma hora pra descer a Avenida D. Pedro II rumo ao centro de Santo André, poderia responder essa questão. Mas o fato é que os investimentos foram pouquíssimos. Um exemplo é a duplicação da Av. Jorge Beretta, entre os Parque Erasmo Assunção e o Parque Novo Oratório (mas já foram instalados radares a 50 Km/h ali).

O fato é que, em uma realidade de aumento no número de veículos, os investimentos em trânsito foram ínfimos. E sempre ocorreram nas piores épocas possíveis. Algumas iniciativas foram micos históricos, como o fechamento do Viaduto 18 do Forte, única ponte rodoviária sobre a Av. dos Estados, nos meses chuvosos de 2011. Lembrando que o Dr. Aidan prometeu construir novas pontes sobre a Av. dos Estados. E  não cumpriu. Também não participou das reuniões do Consórcio, não aumentou o efetivo dos ônibus, não angariou parcerias… Foi um governo autista.

Habitação

Revisões do PLANO DIRETOR, da LEI DE USO E OCUPAÇÃO DO SOLO e do CÓDIGO DE OBRAS juntamente com representantes da comunidade com o objetivo de buscar soluções em projetos que sejam voltados aos interesses da população, suportadas pelas parcerias entre Prefeitura de Santo André, representantes de entidades setoriais da cidade e segmento imobiliário.

Incentivar a produção de MORADIAS POPULARES através de parcerias com a iniciativa privada, incentivando o uso misto do solo

Criar PARCERIAS entre investidores imobiliários, proprietários de grandes áreas disponíveis na região e associações de Santo André para a produção de moradias, redes de comércio e serviços, incentivando o USO MISTO

Realizar estudos dos NÚCLEOS de Santo André com o objetivos de implantar iniciativas de URBANIZAÇÃO e REGULARIZAÇÃO dos mesmos

HABITAÇÕES EM ÁREAS DE PROTEÇÃO AMBIENTAL serão cadastradas as famílias e efetuar controle no número de moradias e implantar sistema de saneamento de esgoto; em áreas de alto risco para as famílias deverá ser feito a mudança de famílias para outras áreas com o suporte da Prefeitura de Santo André

A única parte cumprida com louvor foi a revisão do Plano Diretor para favorecer os interesses do segmento imobiliário. Agora se constroem prédios residenciais até em áreas contaminadas sem maiores problemas.

Em relação às comunidades e às zonas de ocupação irregular, a solução usada em diversas oportunidades foi uma só: a reintegração de posse. Em diversas ocasiões famílias foram expulsas de suas moradias, ao invés de alocadas em unidades urbanizadas, como prometido.

Infelizmente, a parceria com o Governo Federal foi incipiente, e a construção de unidades da CDHU, em parceria com o governo estadual, não passou nem perto de suprir as necessidades da população. O único grande favorecido foi o mercado imobiliário, que se apoderou de diversas áreas que antes eram destinadas para projetos de desenvolvimento consistentes, como o Eixo Tamanduatehy.

Cultura e Lazer

RE-APARELHAGEM dos espaços de cultura e lazer em toda cidade para UTILIZAÇÃO de acordo com a demanda da participação da população de todas as faixas etárias

Fomentar PRODUÇÕES CULTURAIS E LAZER (gratuitos para a população) através de criação de PARCERIAS com segmento privado para fortalecer o investimento em PATROCÍNIOS e consequentemente envolver a população nas praticas de cultura e lazer

Maximizar COMUNICAÇÃO DAS ATIVIDADES DE CULTURA E LAZER, RESULTADOS à população e formadores de opinião para estabelecer uma MARCA CULTURAL para Santo André

A Cultura em Santo André ficou notabilizada não só pelo não cumprimento das promessas acima, mas por algo mais grave: a destruição parcial do Cine Teatro Carlos Gomes, feita sem autorização do Patrimônio Histórico e sem um projeto. É o tipo de iniciativa que mostra um enorme descaso com a cultura na cidade. Não foram construídos novos espaços de cultura na cidade, e os atuais continuam sendo sucateados.

Lazer? Pra que, se existem shopping centers? Os parques da cidade andam tão mal cuidados que já teve até gente morrendo atingida por galho de árvore.

Esporte

Incentivar e facilitar o ACESSO às práticas esportivas educacionais, comunitárias e competitivas para contribuir com o desenvolvimento de crianças, jovens e adultos com PARCERIAS com a iniciativa privada, clubes recreativos, associações e entidades de classes.

PROJETOS:

• COMUNIDADES: Envolver escolas, centros esportivos, associações, indústrias, comércio visando atividades físicas, com geração de receitas e empregos

• VALOR DA ESCOLA: Aprendizagem nas escolas de vários esportes com participação de estagiários de faculdades voltadas ao esporte

• PROJETOS SOCIAIS com subsídios: Criar projetos especiais para atender a diversidade usufruindo dos incentivos e benefícios dos programs de apoio dos governos estadual e federal

• SELEÇÕES DA CIDADE: Proporcionar melhores condições de treinamento e competição para as equipes representativas de Santo André

Valorizar a figura do EDUCADOR DO ESPORTE, com planos de desenvolvimento e carreira

O esporte é um dos aspectos mais falhos da administração atual. O grande projeto do prefeito para o setor são as Academias ao Ar Livre, que funcionam em algumas praças da cidade.

No entanto, além de não cumprir NADA do que foi previsto em seu plano de governo, o Dr. Aidan teve uma falha imperdoável: a destruição do estádio Bruno José Daniel, que não recebe público há cerca de um ano e virou motivo de chacota nacional. As diversas promessas a respeito do estádio falharam, o dinheiro investido desapareceu, a marquise do estádio foi demolida e a obra parou no meio. Agora temos um estádio pela metade, que não pode receber público, com uma obra inacabada e que provavelmente nunca mais poderá receber jogos à noite. E a campanha do prefeito, depois de toda a incompetência, ainda espalhou material de campanha dizendo que a culpa pelo fechamento do Bruno Daniel era da torcida (!!!). Está respondendo a processo por calúnia e difamação por conta disso.

Conclusão

Enquanto, após a análise das promessas públicas do Dr. Aidan, concluímos que ele cumpriu cerca de 30% das promessas de campanha, após a análise do plano de governo esse percentual cai muito. Existem aspectos completos do plano de governo do Dr. Aidan que não foram cumpridos.

Existem governantes planejadores e governantes executores. A Dr. Aidan não é nem uma coisa e nem outra. Seu planejamento é péssimo, recheado de senso comum e de promessas impraticáveis. Sua execução também deixa muito a desejar. Ele faz muito pouco com o orçamento anual que tem á disposição, de quase R$ 2 bilhões.

Mas o mais grave é constatar que ele não tem nenhum compromisso com o que fala. Provavelmente nem ele lembre dessas promessas de 2008. E quer apenas mais quatro anos no poder. Levando a cidade de maneira acochambrada, sem planejamento, com uma execução ruim e favorecimento a alguns setores.

Não sei em quem você vai votar domingo. É uma opção sua e existem mais cinco candidatos além do Dr. Aidan. Mas o fato é um só: se você quer mesmo uma cidade melhor nos próximos quatro anos, o Dr. Aidan não é uma opção. A administração dele é ruim, é isolacionista, não consegue parcerias para a cidade, conta com um planejamento péssimo e ainda é revanchista contra os adversários.

O slogan dele diz “ele fez e vai fazer muito mais”. O fato é que ele fez muito pouco. E não vai fazer muito mais nos próximos quatro anos. Já tivemos tempo suficiente para concluir que, dentre todas as opções existentes, o Dr. Aidan é a pior para a cidade.

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Verificando as promessas do Dr. Aidan

setembro 9, 2012 14 comentários

Em 2008, quando o Dr. Aidan ganhou a eleição, fez um caminhão de promessas, que postei aqui. Hoje, quatro anos depois, é hora de verificar o cumprimento delas:

Saúde

1. “O munícipe passará por consulta, fará os exames e retornará ao especialista em um único local, tudo em um prazo de um mês.” Sabatina da Associação Comercial e Industrial de Santo André (Acisa) e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). (Diário Regional, 3/9/2008) 

Impossível falar que a promessa foi cumprida. Ainda hoje, os postos de saúde praticam prazos de quase um ano para todo o procedimento médico. Consultas são marcadas com 4 ou 5 meses de antecedência. Promessa não cumprida.

2. Criar um “Poupatempo da Saúde”, que seria a implantação de centros de especialização em um mesmo espaço. (Portal Uol, 6/10/2008) 

Foi criado um AME na Vila Luzita, em parceria com o governo estadual. É o que a prefeitura considera o “Poupatempo da Saúde”,

3. Para a terceira idade, a criação de centros de referência do idoso nas 25 Unidades Básicas de Saúde (UBS) atuais, além de centros-dias para acolhimento desse público por determinado período. (Portal Uol, 6/10/2008) 

Não foram criados os Centros de Referência prometidos.

4. Transformar o posto de saúde do bairro de Vila Luzita em um mini-hospital. (Jornal ABCD Maior Notícias, 12/10/2008) 

Forçando bem a barra, dá pra considerar o AME instalado na Vila Luzita o “cumprimento” da promessa.

5. Levar para o Bairro de Vila Luzita o Poupatempo Saúde. (Jornal ABCD Maior Notícias, 12/10/2008)

É a mesma promessa do ítem 2, cumprida em parceria com o governo estadual.

Educação

1. Implementar o projeto Mãe Crecheira para aumentar o número de vagas nas creches. Haverá seleção de munícipes que serão encarregadas de cuidar de dez a 12 crianças do bairro. Sabatina da Associação Comercial e Industrial de Santo André (Acisa) e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). (Diário Regional, 3/9/2008) 

Promessa não cumprida.

2. “Temos que mudar a proposta para que as crianças cheguem estimuladas ao ensino fundamental, que é muito bem tratado pelo município.” (Jornal ABCD Maior Notícias, 9/8/2008)

Impossível falar qualquer coisa, tendo em vista que a proposta é muito genérica. Mas o principal investimento do Dr. Aidan na área foi fornecer uniformes para as crianças. O projeto educacional em si não foi melhorado.

3. Investir em uma melhor preparação dos alunos do ensino infantil. Debate do Diário do Grande ABC. (Diário do Grande ABC, 17/10/2008) 

Mais uma promessa genérica. Mas o projeto educacional não foi melhorado, como proposto.

4. Trazer para o bairro de Vila Luzita um Sesi (Serviço Social da Indústria): “Porque é um centro de educação maravilhoso e muito importante para nós. Já falei com o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e ele se comprometeu em pensar a proposta com carinho.” (Jornal ABCD Maior Notícias, 12/10/2008) 

Promessa não cumprida.

5. Investir na construção de novas creches e escolas. Em um fórum entre candidatos realizado no Centro Educacional Paineira. (Portal Clique ABC 4/9/2008)

Segundo o próprio Dr. Aidan, foram construídas 10 creches e duas escolas no período. Mais uma promessa que esbarra na pouca especificidade do prefeito.

Transportes

1. Reestruturação viária: “Vou afundar e alargar um pouco avenida Perimetral e cobri-la como se fosse um viaduto.” (Jornal ABCD Maior Notícias, 9/8/2008) 

Promessa não cumprida.

2. Aumentar uma pista na Perimetral e mudar o sentido das Avenidas Industrial e D. Pedro II. Brandão. Debate na tevê CNT.(Rudge Ramos Jornal Online, 8/9/2008) 

Promessa não cumprida.

3. Projeto Via Radial que visa a construção de uma nova avenida para São Paulo sobre o rio Tamanduateí. Debate na tevê CNT.(Rudge Ramos Jornal Online, 8/9/2008)

Promessa não cumprida.

Esporte e Lazer

1. Construção do Espaço Jovem: “O Espaço Jovem vai ser um local com quadra poli-esportiva, biblioteca, estúdio musical pista de skate, precisamos dar lazer e capacitação para o jovem de Santo André.” Em feira do bairro Capuava. (Jornal ABCD Maior Notícias, 5/9/2008)

Promessa não cumprida.

Habitação

1. Dividir a cidade em cinco regiões, sendo que cada uma contará com três distritos diferentes, unindo os bairros de acordo com suas características. Em caminhada no bairro Centrevile. (Repórter Diário, 27/9/2008) 

Promessa não cumprida.

2. “Existe muita área invadida (na Vila Luzita). Queremos normalizar as situações e não ameaçar que vai tirar.” (Jornal ABCD Maior Notícias, 12/10/2008)

Promessa não cumprida. Inclusive as desapropriações na região tornaram-se frequentes, como pode ser comprovado aqui e aqui.

Meio Ambiente

1. Introduzirá o Sistema Municipal de Preservação de Áreas Verdes na região urbana. (Diário do Grande ABC, 23/8/2008) 

Promessa não cumprida.

2. Estudo de viabilidade de investimentos em equipamentos para aterro sanitário. “A vida útil do aterro é limitada. No máximo três anos.” (Diário do Grande ABC, 23/8/2008) 

O aterro continua sendo problemático para a cidade. Passou muito tempo interditado, por chegar ao limite da capacidade. Foi ampliado, mas a prefeitura segue pagando pelo depósito dos resíduos em aterros particulares. É uma das causas para o aumento da dívida do Semasa nos últimos anos.

3. Criação de uma usina de compostagem e reciclagem, que, segundo o candidato, estão sucateados. “A vida útil do aterro é limitada. No máximo três anos”. (Diário do Grande ABC, 23/8/2008)

Promessa não cumprida.

Segurança

1. Colocará em prática novamente a Secretaria de Segurança. Debate do Diário do Grande ABC. (Diário do Grande ABC, 17/10/2008) 

Foi criada a Secretaria de Segurança Pública e Trânsito, integrando a Guarda Municipal e os serviços de trânsito. No entanto, a capacidade da secretaria, em relação à segurança, é mínima.

2. Criação do projeto Moto-bairro (patrulhamento da Guarda Civil Municipal por motocicletas). Debate do Diário do Grande ABC. (Diário do Grande ABC, 17/10/2008)

Promessa não cumprida na maior parte dos bairros. A ronda em motocicletas se restringe ao centro da cidade e as regiões mais movimentadas, como o Bairro Jardim. E, ainda assim, não é sistemática.

Outros

1. Assistência Social: Valorizar a humanização da cidade e promover projetos sociais para o município. Debate na tevê CNT. (Rudge Ramos Jornal Online, 8/9/2008) 

A pouca especificidade da promessa torna o cumprimento fácil. Através do Fundo Social de Solidariedade, capitaneado pela esposa do prefeito, foram realizadas as Campanhas do Agasalho nos últimos anos. Mas não foram promovidos novos “projetos sociais” relevantes para o município.

2. Imposto: Tornar a carga tributária mais justa – “Vamos usar instrumentos informatizados para a fiscalização. Verificando se o valor declarado está compatível com a os diversos segmentos da economia.” (Jornal ABCD Maior Notícias, 9/8/2008)

Promessa não cumprida. Mas cabe ressaltar que houve uma grande renegociação de impostos nos últimos anos (as bases dessa renegociação são assunto para outra discussão), que aumentou a arrecadação do município de maneira artificial.

Conclusões

Analisando os dados temos a conclusão de que, em relação ao mandato do Dr. Aidan:

Promessas cumpridas: 4 (17,39%)

Promessas impossíveis de qualificar como completamente cumpridas ou não cumpridas: 6 (26,09%)

Promessas não cumpridas: 13 (56,52%)

Ou seja: das 23 promessas elencadas em 2008, durante a campanha (fora outras, elencadas em encontros informais ou descritas no plano de governo), apenas 4 foram cumpridas integralmente. Outras seis foram cumpridas parcialmente ou soam como pouco específicas.

Na prática, o Dr. Aidan cumpriu 30,43% do que prometeu em 2008. Quase 70% daquilo que ele prometeu não foi cumprido. Isso sem falar nas promessas posteriores, como as realizadas em relação ao Estádio Bruno José Daniel, por exemplo, que não pode receber torcedores há quase um ano, em virtude do desleixo da prefeitura em fazer a demolição da marquise e parar a obra pela metade. Sem contar que, além da reforma, o Dr. Aidan já prometeu transformar o estádio em uma Arena Multi Uso (!!!)

A reflexão que fica é: um prefeito que cumpriu pouco mais de 30% do que prometeu merece mais quatro anos no poder? É mais fácil se deixar levar pelo marketing das realizações do prefeito ou analisar os demais projetos para a cidade, em busca de uma gestão mais eficiente e planejada, que de fato conte com um projeto para a cidade, no curto, médio e longo prazo? Ou será que vale a pena continuar sendo prejudicado pelo mau planejamento?

A decisão, por parte do eleitor andreense, deve acontecer em um mês. Ou em um pouco mais do que isso, se tivermos segundo turno.

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